Diagnosticado com bronquite e laringite, nosso Geddy precisará de mais tempo para se recuperar antes de voltar aos palcos.
Rush remarca shows em Fort Worth para julho
O Rush remarcou shows em Fort Worth depois que Geddy Lee chegou à passagem de som praticamente sem voz. Diagnosticado com bronquite e laringite, o vocalista precisará de mais alguns dias de descanso antes de voltar ao palco. As apresentações de 30 de junho e 2 de julho, na Dickies Arena, foram transferidas para 11 e 13 de julho.
As apresentações estavam marcadas para os dias 30 de junho e 2 de julho, na Dickies Arena. Agora, os shows foram transferidos para 11 e 13 de julho.
A informação foi divulgada pela própria banda em comunicado publicado nos canais oficiais do Rush. Segundo o texto, Geddy foi avaliado por médicos e recebeu a orientação de descansar mais um pouco antes de cantar novamente.
Para quem estava em Fort Worth, ou já tinha viajado para acompanhar os shows, a notícia caiu como um balde de água fria. Mas, pelo tom da mensagem da banda, não havia muita margem para insistir. Geddy simplesmente não tinha voz para encarar uma apresentação do Rush.
Alex Lifeson explica a situação aos fãs
Na noite de terça-feira, 30 de junho, Alex Lifeson apareceu nas redes oficiais do Rush para falar diretamente com os fãs. Com semblante abatido, o guitarrista abriu a mensagem sem rodeios.
“Aqui é o Alex. Tenho um anúncio muito triste para fazer. O Geddy acordou esta manhã com bronquite e laringite”, disse ele.
Alex contou que a banda chegou à Dickies Arena para a passagem de som, mas a situação ficou clara rapidamente.
“Nós viemos para a passagem de som hoje e, sinceramente, ele mal conseguia falar, quanto mais cantar”, afirmou.
Mesmo em um momento difícil, Lifeson deixou escapar aquele humor seco que sempre fez parte da relação entre os dois. Ao dizer que Geddy quase não conseguia falar, brincou que isso “não era tão ruim assim”, já que, segundo ele, quem convive com o baixista sabe que ele está sempre falando.
“Quando você convive com esse cara o tempo todo, ele está sempre falando”, disse Alex, antes de voltar ao tom mais sério da mensagem.
O guitarrista pediu desculpas aos fãs e reconheceu o tamanho do transtorno, principalmente para quem já estava no local ou tinha se deslocado até Fort Worth para ver a banda.
“Sentimos muito, muito mesmo. A situação é essa, e vamos tentar compensar vocês”, afirmou.
Na sequência, Alex confirmou as novas datas: 11 e 13 de julho. A expectativa é que Geddy já esteja recuperado até lá.
“Voltaremos nessas datas e, esperamos, ele já estará totalmente recuperado”, disse.
A parte mais importante da fala veio quando Alex explicou por que o Rush decidiu não seguir adiante com os shows. Para ele, subir ao palco sem condições de entregar uma apresentação completa não seria justo com o público.
“Estamos realmente arrasados, mas não podemos fazer um show que não esteja 100%. Essa é a nossa responsabilidade com vocês, e é assim que a gente trabalha”, afirmou.
Ingressos seguem válidos para as novas datas
O comunicado oficial segue a mesma linha. A banda reconheceu a frustração dos fãs que já estavam prontos para os shows, muitos deles com viagem marcada, ingresso na mão e uma expectativa enorme para ver de perto esta nova fase do Rush.
Ao mesmo tempo, o grupo deixou claro que a decisão não foi tomada de forma leviana. Depois de mais de 50 anos fazendo turnês, Geddy Lee e Alex Lifeson destacaram que, toda vez que sobem ao palco, sentem que devem ao público a melhor apresentação possível. Desta vez, isso simplesmente não seria possível.
O show de 30 de junho foi remarcado para 11 de julho. Já a apresentação de 2 de julho passou para 13 de julho.
Todos os ingressos comprados anteriormente continuarão válidos para as novas datas. Quem não puder comparecer deve buscar informações sobre reembolso no ponto original de compra. Como o Rush remarca shows para datas próximas, a expectativa é que a pausa seja suficiente para Geddy se recuperar sem afetar o restante da agenda.
O caso chama atenção também porque a data de 2 de julho já vinha de uma remarcação anterior. Originalmente, esse show estava previsto para 24 de junho, mas foi transferido por causa de atrasos de viagem e questões relacionadas à fronteira, que afetaram a produção da turnê depois das apresentações realizadas na Cidade do México.
A Fifty Something Tour e o peso dessa volta
A Fifty Something Tour começou em 7 de junho, no Kia Forum, em Los Angeles, marcando o retorno de Geddy Lee e Alex Lifeson aos palcos sob o nome Rush depois de mais de uma década longe das grandes turnês.
A volta acontece com Anika Nilles na bateria, em uma posição cercada de emoção, respeito e expectativa. Não é uma cadeira qualquer. É o lugar que, por décadas, foi de Neil Peart. E todo fã do Rush entende o peso disso. Quando o Rush remarca shows nesta nova fase, a decisão pesa ainda mais porque a turnê carrega uma carga emocional enorme para a banda e para os fãs.
Essa retomada, no entanto, quase não saiu do papel. Antes do anúncio da turnê, Alex Lifeson ainda lidava com as sequelas de uma cirurgia que o deixou com gastroparesia, condição que afeta o funcionamento do estômago e pode comprometer a rotina física de quem precisa enfrentar uma agenda de shows.
A recuperação passou por reabilitação e por um retiro de saúde na Áustria, ao lado de Geddy Lee. A experiência ajudou o guitarrista a recuperar força, confiança e disposição para voltar à estrada.
Desde o início da turnê, Alex tem mostrado que superou esse período difícil. Nos shows já realizados, aparece seguro, concentrado e à vontade no palco. Justamente no lugar onde ele sempre construiu uma das marcas mais fortes do Rush.
Ao lado de Geddy e Anika, o guitarrista tem ajudado a sustentar o peso emocional e musical dessa nova fase. E talvez por isso a decisão de parar por alguns dias tenha sido tão coerente. Não se trata apenas de cumprir uma agenda. Trata-se de fazer isso direito.
Um precedente na história do Rush
O adiamento em Fort Worth também lembra algo que sempre fez parte da história do Rush. A banda sempre levou muito a sério sua responsabilidade no palco. Quando não havia condição real de entregar o melhor show possível, a escolha era parar.
Isso já aconteceu em outros momentos da trajetória do trio.
Um dos casos mais conhecidos veio na reta final da Hemispheres Tour, em 1979. Alex Lifeson machucou seriamente um dedo da mão, uma lesão que levou ao cancelamento de três apresentações consecutivas na Europa.
A agenda de arquivo da turnê registra os cancelamentos em Mannheim, na Alemanha, em 31 de maio; Zurique, na Suíça, em 1º de junho; e Munique, na Alemanha, em 2 de junho.
A história da lesão ganhou versões diferentes ao longo dos anos, entre explicações mais simples e piadas internas repetidas por fãs. A versão mais direta atribuída ao próprio Alex é que ele foi descuidado e bateu o dedo. O ponto central, porém, é outro: a lesão foi séria o bastante para impedir que ele tocasse o repertório exigente daquela fase do Rush.
Mesmo assim, poucos dias depois, em 4 de junho de 1979, a banda conseguiu manter sua apresentação no Pinkpop Festival, em Geleen, na Holanda.
Com o dedo ainda machucado, Alex subiu ao palco e entregou uma performance lembrada até hoje, especialmente pela execução de “La Villa Strangiato”. O episódio acabou virando mais uma prova da exigência física e técnica envolvida em levar a música do Rush para o palco.
A pausa necessária para Geddy Lee
Agora, em 2026, a situação é diferente, mas o princípio parece o mesmo. No caso de Geddy, a voz é uma parte central da experiência. Fazer um show sem que ele pudesse cantar em condições adequadas colocaria em risco não só a apresentação, mas também sua recuperação.
E, para uma turnê carregada de tanto significado, isso pesa ainda mais.
Até o momento, não há indicação oficial de novos impactos no restante da turnê. A banda agradeceu a paciência, a compreensão e o apoio dos fãs, e afirmou que espera reencontrá-los em poucos dias, quando Geddy estiver recuperado.
Para quem esperava ver o Rush nesta semana em Fort Worth, a frustração é evidente. Mas, quando o Rush remarca shows por uma questão de saúde, a mensagem de Alex aponta para uma pausa necessária, feita com transparência, respeito pelo público e a promessa de reencontro em breve.