Anúncio feito na AXPONA 2026 indica que o catálogo clássico da banda deve ganhar edições premium entre 2026 e 2028, incluindo possíveis versões One-Step, discos duplos em 45 rotações e SACDs.
Fãs do Rush, é bom preparar o coração. E o bolso também. A fase clássica da banda, aquela que atravessa alguns dos discos mais importantes da trajetória de Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart, deve ganhar um tratamento especial nos próximos anos. Não se trata de mais uma simples reedição, mas de uma série de lançamentos audiófilos planejados pela Mobile Fidelity Sound Lab, uma das empresas mais conhecidas do mercado de alta fidelidade.
A novidade surgiu durante a AXPONA 2026, uma das principais feiras de áudio de alta fidelidade dos Estados Unidos. O evento, realizado em Schaumburg, Illinois, nos Estados Unidos, reúne fabricantes de equipamentos, gravadoras, lojistas, engenheiros de som, colecionadores, audiófilos e apaixonados por música. Onde se apresenta, também, lançamentos especiais em vinil.
Uma das palestras foi conduzida por Jim Davis, presidente da Music Direct e da Mobile Fidelity Sound Lab. Davis é uma figura importante nesse universo porque comanda duas marcas diretamente ligadas ao mercado audiófilo. A Music Direct é uma empresa norte-americana especializada na venda de discos, equipamentos de som, toca-discos, cápsulas, acessórios e edições especiais para colecionadores. Foi também a Music Direct que assumiu a Mobile Fidelity no início dos anos 2000, ajudando a recolocar a marca em posição de destaque no mercado de reedições premium.
É o tipo de encontro em que se apresentam caixas acústicas de altíssimo padrão, toca-discos, amplificadores, cabos, salas de audição. Nesse ambiente, voltado justamente para quem leva a experiência sonora muito a sério, o nome do Rush apareceu em um slide da Mobile Fidelity com a indicação “Rush 2026–2028”.

Foi durante essa apresentação técnica que um participante percebeu o tópico na tela e perguntou diretamente o que aquilo significava. A resposta de Jim foi a grande notícia do dia para os fãs da banda. Segundo ele, a Mobile Fidelity pretende trabalhar quase todo o catálogo do Rush lançado pela Mercury, fase que vai do álbum de estreia até Grace Under Pressure.
Apenas os álbuns ao vivo dessa fase não serão trabalhados. Também houve uma pequena dúvida em relação a Caress of Steel, já que Davis afirmou não ter certeza se esse título entraria no pacote. Mesmo assim, a previsão mencionada na conversa aponta para cerca de nove ou dez álbuns.
“Acho que estamos fazendo quase tudo do catálogo da Mercury, ou seja, até Grace Under Pressure. Acho que a única coisa que não vamos fazer é o álbum ao vivo Exit… Stage Left”, explicou o empresário.
No caso do Rush, a expectativa é enorme. A fase Mercury reúne alguns dos álbuns mais importantes da carreira de Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart. Estão nesse período discos como Rush, Fly by Night, 2112, A Farewell to Kings, Hemispheres, Permanent Waves, Moving Pictures, Signals e Grace Under Pressure.
São obras marcadas por arranjos complexos, baixo muito presente, guitarras cheias de textura, bateria detalhada, sintetizadores, mudanças de andamento e uma arquitetura musical que sempre valorizou precisão e energia. Em outras palavras, é um catálogo perfeito para esse tipo de tratamento sonoro.
A série deve combinar diferentes formatos. Entre eles estão edições One-Step, discos duplos em 45 rotações e SACDs. Para quem não está familiarizado com esse vocabulário, o One-Step é um processo especial de fabricação de vinil usado pela Mobile Fidelity em lançamentos de alto padrão.
Ele reduz etapas tradicionais da produção do disco, tentando preservar mais detalhes, dinâmica e presença sonora. Já os discos em 45 rotações costumam permitir mais espaço físico para a informação musical nos sulcos do vinil, o que pode resultar em melhor definição, mais impacto e maior sensação de abertura no som. Em muitos casos, por isso, um álbum originalmente lançado em um LP simples acaba dividido em dois discos de 45 RPM.
A notícia ainda não chegou como um comunicado oficial tradicional, com lista completa de títulos, datas fechadas e detalhes de cada edição. Ela apareceu ao vivo, dentro de uma apresentação da Mobile Fidelity, quase como uma revelação capturada no momento certo. Mas justamente por isso chamou tanta atenção. Não foi um boato solto. Foi uma informação dada por Jim Davis, presidente da Music Direct e da MOFI, diante de uma plateia especializada, durante uma das feiras mais importantes do setor.
Alta fidelidade– A Mobile Fidelity Sound Lab, mais conhecida como MOFI, é uma gravadora norte-americana especializada em reedições de alta fidelidade, aquelas versões feitas para quem quer ouvir um álbum com o máximo possível de detalhe, profundidade e qualidade sonora. Fundada em 1977, a empresa ficou famosa por relançar grandes discos da história da música em edições premium de vinil e SACD, geralmente voltadas para colecionadores e ouvintes muito exigentes. Agora, esse tratamento especial deve chegar ao catálogo clássico do Rush.
Ao lado de Jim Davis, na apresentação, estava Rob LoVerde, engenheiro de masterização ligado à Mobile Fidelity e responsável por boa parte dos trabalhos da empresa em SACD. O SACD, sigla para Super Audio CD, é um formato digital de alta resolução, criado para oferecer qualidade sonora superior à do CD convencional.
Durante a sessão, LoVerde explicou parte do processo técnico usado pela MOFI para produzir suas reedições. Segundo ele, quando a empresa tem acesso às fitas originais, o material é transferido para digital em altíssima resolução, em DSD512. Quando não é possível levar a fita para o estúdio da Mobile Fidelity, a empresa envia equipamentos e um engenheiro até o local onde a fita está guardada, geralmente em alguma gravadora ou arquivo especializado.
A explicação ajuda a entender por que esse tipo de lançamento mexe tanto com colecionadores. A ideia não é simplesmente prensar novamente um disco antigo. O objetivo é voltar à melhor fonte disponível, cuidar do alinhamento das máquinas, ajustar detalhes como azimute e polaridade, corrigir problemas quando possível e criar uma versão que preserve o máximo de informação sonora da gravação original. Em linguagem simples, é um trabalho feito para revelar nuances que muitas vezes ficam escondidas em edições comuns.
Para os fãs do Rush, o anúncio abre uma nova frente de expectativa. Depois de décadas de relançamentos, remasterizações, caixas comemorativas e edições especiais, a possibilidade de ver parte essencial do catálogo da banda em versões audiófilas da Mobile Fidelity coloca esses discos novamente no centro da conversa. Não se trata apenas de nostalgia ou de mais uma prensagem para colecionador. A promessa é ouvir álbuns fundamentais com outro nível de cuidado, em formatos pensados para extrair cada camada das gravações.
Se o plano se confirmar como foi apresentado, os lançamentos devem sair aos poucos entre 2026 e 2028. Para quem coleciona Rush em vinil, isso significa preparar espaço na estante e também no orçamento. Para quem acompanha a história da banda, significa mais uma oportunidade de revisitar discos que continuam vivos, desafiadores e cheios de detalhes. A música do Rush sempre foi feita de precisão, risco e profundidade. Agora, parte dessa obra pode ganhar novas versões à altura dessa ambição sonora.
Uma resposta
La se vai um carro zero, lembrando também que para aproveitar esses arquivos o sistema de áudio é importante!