Rush faz homenagem a Ozzy Osbourne

Ozzy se foi, mas sua lenda permanece; em uma despedida tocante, o Rush homenageia o Príncipe das Trevas com memórias, respeito e emoção

O Rush prestou uma emocionante homenagem a Ozzy Osbourne, que faleceu aos 76 anos, deixando um legado imensurável na história do rock. A nota oficial, publicada nas redes da banda, destaca a importância do vocalista do Black Sabbath como uma figura única e destemida, além de relembrar momentos marcantes entre os músicos.

“Ozzy era intensamente amado, um intérprete sem igual”, afirmou Geddy Lee. Ele relembrou a primeira vez que escutou o álbum de estreia do Black Sabbath: “Lembro de ouvir o primeiro álbum do Sabbath quando saiu e pensar em como a guitarra do Tony Iommi soava ‘pesada pra c*!@#’”.

Geddy também compartilhou uma história inusitada de bastidores, quando o Rush e Ozzy gravavam no País de Gales, no final dos anos 70. “Lembro de Ozzy aparecer na sala de controle perguntando se podia ‘emprestar’ um pouco de haxixe do Neil! Durante anos, Neil adorava contar essa história: ‘Ozzy me deve um haxixe’”, escreveu Geddy, em tom bem-humorado.

Cartaz do show com Rush e Ozzy

Na publicação, o Rush lamenta que nunca tenha dividido o palco com o Black Sabbath e lembra que a única vez que tocaram com Ozzy no mesmo evento foi em junho de 1984, no Texxas Jam, no Cotton Bowl. Um cartaz desse show histórico foi incluído na postagem como lembrança.

A banda encerrou a homenagem com um tributo direto: “Total respeito a uma lenda e a uma banda cuja música influenciou profundamente milhares de músicos e deixou um legado eterno para todos nós continuarmos ‘rockeando’.”

Geddy Lee e Alex Lifeson, que seguem representando o legado do Rush, infelizmente não puderam participar do show de despedida de Ozzy, realizado recentemente e que reuniu amigos e músicos de todo o mundo. Mesmo ausentes fisicamente, fizeram questão de marcar presença com palavras sinceras e emocionadas, à altura de quem entende, profundamente, o que significa viver e respirar o rock.

Sobre o convite, Alex explicou. “Outras coisas surgiram e infelizmente tivemos que desistir”. O guitarrista expressou o entusiasmo que ele e Geddy sentiram com o convite, afirmando que ambos apreciam a oportunidade de tocar com outros músicos.

Veja a declação de Alex sobre o assunto numa entrevista recente a Chuck Armstrong do “Loudwire Nights”. 

Rush e Black Sabbath começaram no mesmo ano: 1968; na foto, Alex encontra a banda

Início juntos– A conexão entre Rush e Black Sabbath remonta aos primórdios das duas bandas, nos anos 1970. Lifeson confessou que, embora não se considerasse um grande fã do Black Sabbath, admirava o talento de Tony Iommi na guitarra. “Eu respeitava a forma de tocar guitarra do Tony”, disse Lifeson na entrevista. A ausência da dupla no show de despedida de Ozzy Osbourne, foi recebida com lamentação por muitos fãs de rock.

Na trilogia biográfica sobre o Rush, escrita por Martin Popoff e que chegou ao Brasil com o título de “Rush Através das Décadas”,  o Black Sabbath é citado em vários momentos. Seja por uma história curiosa, como aconteceu no encontro com Ozzy, ou como influência ao som de Geddy, Alex e Neil.

Em um trecho, Geddy Lee quem faz as honras. “Acho que resistimos um pouco à ideia de sermos considerados uma banda de metal (no início da carreira), só porque sentíamos que nossas raízes estavam mais no hard rock do que no metal, e para nós a distinção era muito clara”, lembrou Lee.

“Talvez nem tanto para o público, mas com certeza para nós a diferença entre Black Sabbath e The Who era bastante profunda. The Who era rock e o Sabbath era metal, e nós éramos um tipo de amálgama daqueles extremos. Ficamos no meio do poder gutural que aquelas bandas tinham, estávamos no meio daquilo. E ainda assim as influências eram muito mais complexas”, disse.

Ozzy Osbourne partiu, mas sua voz ecoa para sempre.

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