Além de conquistar o topo do ranking com Moving Pictures, o trio canadense também aparece com Permanent Waves; a seleção da revista destaca ainda obras de nomes como Yes, Genesis, Marillion, King Crimson, Peter Gabriel, Cardiacs, It Bites e IQ
Mesmo com todas as transformações que o rock progressivo sofreu ao longo dos anos 80, uma década marcada por sintetizadores, refrões acessíveis e mudanças na estrutura das bandas clássicas, o Rush conseguiu não apenas se manter relevante, mas reinventar sua linguagem e liderar essa nova era do prog. Foi o que reconheceu a revista norte-americana Loudwire, ao publicar recentemente a lista dos 11 melhores álbuns de rock progressivo dos anos 1980.
O grande destaque ficou para o trio canadense, que conquistou a primeira colocação com o icônico Moving Pictures (1981) e ainda emplacou outro clássico absoluto, Permanent Waves (1980), entre os selecionados. O feito reafirma o papel do Rush como uma das raras bandas que cruzaram gerações e estilos sem comprometer sua essência artística. Para a Loudwire, Moving Pictures representa “a fusão definitiva entre magnetismo popular e virtuosismo progressivo”.

O disco abre com “Tom Sawyer”, talvez a música mais conhecida da banda e uma das mais influentes da história do rock. A publicação destaca como a faixa atravessou o tempo e o espaço da cultura pop, sendo referenciada em filmes, séries e jogos, conquistando até quem nunca se aprofundou no universo do Rush.
Além dela, o álbum traz a instrumental “YYZ”, considerada um marco da complexidade técnica do grupo, a introspectiva “Limelight”, a cinematográfica “Red Barchetta” e a épica “The Camera Eye”, que fecha o disco retomando o espírito narrativo e atmosférico das longas composições do Rush dos anos 70.
“Pessoalmente, gostos à parte, Moving Pictures é claramente o álbum progressivo definitivo da década de 1980”, escreve Jordan Blum, autor da matéria e colaborador da revista.
Vale lembrar que, recentemente, a mesma Loudwire já havia destacado o talento individual de Alex Lifeson, colocando o guitarrista do Rush entre os maiores de todos os tempos dentro do rock progressivo. O reconhecimento veio em uma lista dedicada aos mestres das seis cordas no prog, onde Lifeson foi celebrado por sua originalidade, textura e capacidade de reinventar a linguagem da guitarra no gênero, uma qualidade audível em cada faixa de Moving Pictures e Permanent Waves.
Na mesma lista, em sétimo lugar, aparece Permanent Waves, álbum lançado em janeiro de 1980, que marcou a virada estética do grupo. O disco apontava para novos rumos, com menos suítes longas, mais canções diretas, sem perder a sofisticação lírica e musical.

O grupo introduziu aqui influências de new wave e até reggae, como se vê em “The Spirit of Radio”, single que se tornaria um dos maiores hinos da banda e abriria caminho para a popularização de seu som junto a um público mais amplo. Faixas como “Freewill”, “Entre Nous” e a magistral “Natural Science” demonstram como o Rush soube, com maestria, manter a integridade de sua proposta artística mesmo em um momento em que muitos nomes do gênero estavam cedendo ao apelo comercial.
Lista fascinante– A lista da Loudwire oferece um panorama fascinante da diversidade do rock progressivo naquela década. O Yes também aparece com dois discos: o pop-rock 90125 (1983), que contém o sucesso “Owner of a Lonely Heart”, e o mais experimental Drama (1980), fruto da fase em que Trevor Horn e Geoff Downes assumiram os vocais e teclados da banda.
O Genesis surge com Duke (1980), registro que ainda preserva a sofisticação britânica do grupo, mesmo em meio a melodias mais acessíveis. Peter Gabriel, ex-vocalista do Genesis, marca presença com seu terceiro álbum solo, conhecido como Peter Gabriel 3: Melt, lançado também em 1980. A obra é um mergulho criativo e sombrio que mescla art rock e vanguardismo com um senso estético único, como em “Games Without Frontiers” e “Biko”.
Já o King Crimson reaparece no jogo com Discipline (1981), disco que mescla complexidade técnica com influências de new wave, pop experimental e música africana, trazendo Adrian Belew e Tony Levin para uma nova fase da banda. Completam a lista os ingleses do Marillion e seu aclamado álbum-conceito Misplaced Childhood (1985), os inventivos Cardiacs com A Little Man and a House and the Whole World Window, o grupo It Bites com Once Around the World, e o sombrio e sofisticado The Wake da banda IQ, expoente do chamado neo-prog.
O reconhecimento dado pela Loudwire ao Rush reafirma algo que os fãs já sabiam, o trio canadense não apenas sobreviveu ao cenário mutante dos anos 80, como ajudou a redefinir tudo. Enquanto muitos grupos progressivos abandonaram as complexidades que os consagraram em troca de hits mais fáceis, o Rush seguiu outro caminho. Evoluiu, sintetizou influências, mas manteve a integridade da música como forma de expressão profunda.
Não à toa, os dois discos escolhidos, Moving Pictures e Permanent Waves, continuam sendo reverenciados tanto por críticos quanto por músicos, inspirando novas gerações que encontram neles a prova de que sofisticação musical e apelo popular não são excludentes.
Quatro décadas depois, o Rush ainda ecoa. E, como mostra essa lista, seu som segue na vanguarda da história do rock progressivo.
Uma resposta
Esqueceu da maior banda de todas!
Emerson, Leka & Palmer!