Depois que o som acaba, o que permanece é o encontro; a Rush Fest passa, mas a amizade que ela cria continua viva e faz a gente já contar os dias pra próxima
Tem coisa que a gente leva pra casa e nem percebe. Não vai na mochila, mas fica ali com a gente. No corpo, na memória, no jeito de olhar alguém e pensar “esse aí é dos meus”. A Rush Fest 2026 acabou, mas o que ela deixou continua aqui dentro. Difícil de explicar. Foram três dias intensos, cheios de gente, de conversa, de reencontro. E, depois que tudo passa, o que fica mais forte não é nem o som. É a amizade.
Eu poderia falar dos shows, claro. Da entrega da Ghost Rider, com o vocalista tirando força não sei de onde, meu Deus, pra segurar um show daquele nível, sem cair em momento nenhum. Da energia explosiva da Karol & Snow Dogs, do cuidado e desempenho da Analog Kids, da forma como Mike Massé chega ali com o violão e deixa tudo mais próximo, quase como se estivesse tocando pra você. E o que falar da All Star Fans, com suas variadas formações e talentos que estavam escondidos, sendo revelados? Incrível ! Tudo isso foi grande. Foi bonito de ver. Mas, sinceramente, não é isso que mais marcou.
O que ficou, pra mim, foi outra coisa.
Foi perceber, mais uma vez, que a Rush Fest gira em torno de algo muito maior do que a música. Ela gira em torno das pessoas. Dos encontros. Das histórias que continuam sendo escritas ali, ano após ano. Isso não vem do nada, vem do próprio Rush.
Mais do que qualquer técnica ou genialidade, o que sempre segurou o Rush foi a amizade entre eles. Uma convivência longa, firme, construída ao longo de décadas. Quase 60 anos juntos. Sem briga exposta, sem racha, sem aquela coisa de banda que se desgasta e cada um vai pro seu lado. Eles atravessaram o tempo juntos. E isso, no fim das contas, fala muito mais alto do que qualquer música.
De algum jeito, é isso que a gente vive ali.
Antes mesmo de começar, já bate aquela ansiedade boa. Mas não é só por causa das bandas. É por quem você vai encontrar. Aquele amigo que vem de longe, a turma que você já conhece de outras edições, aquele pessoal novo que você ainda nem sabe, mas que vai virar parte da sua história.
Existe uma expectativa que não tem muito a ver com programação. Tem a ver com gente. Durante, tudo se mistura.
Conversa que começa do nada e vai longe. Risada que surge sem avisar, de uma piada quase absurda de tão besta. Abraço que começa meio sem jeito e vira abraço de quem já se conhece há anos. Você olha pro lado e percebe que está cercado de gente que sente mais ou menos como você. E isso cria um clima difícil de explicar.
No meio disso tudo, você vai percebendo uma coisa simples. O mais importante não está no palco.
Está ali, do seu lado.
Talvez seja por isso que a Rush Fest tenha esse peso diferente. Porque ela não é só um evento. Ela é um ponto de encontro. Um lugar onde as pessoas se reconhecem, mesmo sem nunca terem se visto antes.
Aí acaba. Aí…vem aquele silêncio.
A volta pra casa é estranha. Não é tristeza, não. É como se você tivesse vivido algo muito cheio e agora precisasse de um tempo pra organizar tudo por dentro. Você começa a rever as fotos, lembrar das conversas, escutar as músicas com outro olhar. E, sem perceber, já começa a contagem. Dois anos.
Parece muito.
Mas depois do que a gente vive ali, dá a sensação de que passa rápido.
Talvez passe mesmo.
Porque o que a gente leva não fica parado. Continua vivo nas mensagens, nos grupos, nas conversas que seguem depois. Continua nos planos que já começam a ser feitos pra próxima edição. Continua na certeza de que, em algum momento, todo mundo vai se encontrar de novo.
No fundo, o que a Rush Fest mostra é que o Rush nunca foi só música.
Virou jeito de viver.
Virou essa capacidade de criar laço de verdade. De cuidar do outro. De valorizar quem está junto. De entender que o mais importante não é só o que se ouve, mas o que se constrói com aquilo.
Quando você vê gente atravessando o país pra estar ali, ajeitando a vida, dando um jeito de participar, fica claro que não é só gosto musical. É pertencimento.
E isso aparece nas coisas simples.
Na carona que alguém oferece. No copo dividido. Na ajuda que surge sem ninguém pedir. Na conversa longa com alguém que você acabou de conhecer, mas que parece que já faz parte da sua vida faz tempo.
Tem uma generosidade ali que não precisa de explicação. Todo mundo entende, isso é o que mais marca.
Porque, no fim das contas, a gente não volta pra casa lembrando só das músicas. A gente volta lembrando das pessoas. Dos encontros. Dos momentos que não estavam no roteiro.
A Rush Fest termina.
Mas o que ela constrói continua.
Fica a memória. Fica o carinho. Fica aquela sensação boa de saber que tem gente por aí que sente como você.
É por isso que, antes mesmo de passar muito tempo, a gente já começa a pensar na próxima.
Torcendo pra que esses dois anos passem rápido.
Respostas de 12
Impressionante como consegues colocar em palavras esse sentimento que é coletivo, mas ao mesmo tempo tão íntimo de cada um de nós. Ler esse texto foi como reviver tudo de novo. E digo mais: além da admiração pelo que escrevestes, tem a amizade entre todos nós, porque só alguém que sente assim consegue se conectar dessa forma. Obrigado por traduzir isso com tanta sensibilidade. Grande abraço e até a próxima!!!
Meu grande amigo Jean! Só temos que agradecer por essas amizades que o Rush pode nos proporcionar.
Lindo texto, brother!!!
Uma pena que tive que desmarcar de última hora, mas ainda assim, consegui acompanhar pelas redes.
Mesmo de longe, me senti participando com vcs!!!
E que passem logo esses 2 anos. No próximo prometo não cancelar e estaremos juntos mais uma vez!!
Sentimnos muito a falta de vocês, meu velho e querido amigo. Da família inteira. Mas já já chega de novo.
Te amo pra caralho João!
Rolou “tears” aqui!
Valeu, meu ídolo. Só cuida para tua Alexa não tocar somente Somenthing for Nothing… ahahahah
Cara, é impressionante como consegues traduzir nossos sentimentos. Li esse artigo com lágrimas nos olhos.
É bem como você escreveu “é pertencimento”.
Parabéns aos organizadores pelo show de gestão em um evento sensacional…. e ainda tinham um tempinho para conversar conosco
Valeu, amigo! Unidos!
Boa tarde, João. Foi um enorme prazer poder conhece-lo e compartilhar rapidamente da companhia de sua pessoa em nosso trajeto até Floripa. Desejamos que sua guria esteja bem e em plena recuperação. Ficamos nas orações e torcida. Precisando em algo que possamos ajudar, conte conosco. Uma abençoada semana plena de saude e paz. Forte e frater no abraço Lico e Gizelle.
Valeu, Lico! Valeu o apoio, a carona e, principalmente, a amizade. Estamos na batalha e vai dar tudo certo. Obrigado, amigo!
Lindo texto, João! Conseguiu traduzir em palavras os sentimentos que todo nós tivemos nesta edição. Fico feliz em ter participado e compartilhado o amor pelo Rush com tantas pessoas com essa mesma afinidade. Que essa amizade cresça e que venha a próxima edição! Grande abraço!
Bom mesmo é estar perto de amigos que nos entendem… valeu, mestre!