A Rickenbacker revelou um baixo especial feito para Geddy Lee usar na nova turnê do Rush. Com acabamento azul turquesa e detalhes inspirados no primeiro modelo 4001, o instrumento une memória, palco e expectativa para essa nova fase da banda
A nova turnê do Rush ainda nem começou, mas já existe um detalhe capaz de deixar qualquer fã olhando duas vezes para o palco. A Rickenbacker divulgou oficialmente que produziu um baixo especial para Geddy Lee, feito sob medida para essa nova fase da banda na estrada. E não é qualquer instrumento. Pela imagem, pela cor, pelos detalhes e pela própria fala da marca, esse baixo parece conversar diretamente com uma das peças mais importantes da história da linha 4000.
“Um baixo muito especial que fizemos para Geddy Lee, segundo as especificações dele”, divulgou a Rickenbacker em suas redes sociais. A marca ainda completou a apresentação com uma frase que acendeu ainda mais a curiosidade dos fãs. “Acabamento azul turquesa, com braço e binding sem acabamento. Uma verdadeira retrospectiva do modelo mais antigo da linha de baixos da Série 4000. Fique de olho nele na próxima turnê do Rush”, afirmou a empresa.
Só essa última frase já diz muita coisa. Não estamos falando apenas de um instrumento novo colocado nas mãos de Geddy. Estamos falando de um baixo pensado para a estrada, para o palco e para um momento histórico. O Rush está voltando aos shows depois de muitos anos, agora com uma formação renovada, e tudo o que cerca essa volta ganha um peso emocional enorme. Cada escolha parece conversar com a memória da banda, com a ausência de Neil Peart e com a responsabilidade de seguir adiante sem apagar o passado.
No caso desse novo Rickenbacker, a conversa com o passado é bem clara. O acabamento azul turquesa chama atenção logo de cara, mas o grande charme está na lembrança direta do primeiro Rickenbacker 4001, de 1961. O baixo parece ter sido construído como uma homenagem a esse instrumento original, aquele que abriu caminho para uma das linhas mais marcantes da história dos baixos elétricos.
Ainda não se sabe qual será o nome oficial do modelo. Ele apareceu nas redes da Rickenbacker sem esse detalhe técnico, mas a semelhança com o velho 4001 é tão forte que fica difícil não olhar para ele como uma espécie de 4001 especial feito para o baixista do Rush. A própria marca alimenta essa leitura ao dizer que o instrumento é uma retrospectiva do modelo mais antigo da Série 4000.
Esse tipo de gesto combina muito com Geddy. Ao longo da carreira, ele sempre teve uma relação muito forte com os instrumentos que usava. Seus baixos não eram apenas ferramentas de trabalho. Eles ajudavam a moldar o som do Rush, sua presença no palco e aquela mistura tão própria de ataque, melodia e peso que fez dele um dos baixistas mais reconhecíveis do rock.

O novo instrumento traz detalhes que reforçam essa ligação entre memória e uso real. A pedido do músico, o braço aparece sem acabamento. Também há um detalhe chamado stinger na base do braço, uma escolha visual que lembra alguns instrumentos antigos da própria Rickenbacker, especialmente modelos como o Combo 850. É aquele tipo de detalhe que muita gente talvez não perceba de longe, mas que faz diferença para quem gosta de observar a história por trás de cada peça.
Por baixo desse visual de baixo clássico, quem acompanha de perto a Rickenbacker aponta que o corpo provavelmente parte de um 4003 padrão. Mas quase tudo o que aparece por cima parece ter sido pensado especialmente para esse baixo. Captadores toaster e horseshoe, escudo, ponte e cobertura foram montados para lembrar de perto o visual do baixo original de 1961. Até os marcadores da escala chamam atenção. A Rickenbacker usou marcadores de crushed pearl, embora o modelo original trouxesse marcadores de resina derramada.
O resultado é um baixo que olha para trás sem ficar preso ao passado. Ele tem cara de instrumento histórico, mas nasce para ser usado agora, numa turnê que já carrega uma expectativa imensa. A Rickenbacker não mostrou o instrumento como uma peça de museu. Pelo contrário. A frase “fique de olho nele na próxima turnê do Rush” deixa claro que o destino desse baixo é o palco.
A imagem ganha ainda mais força quando a gente imagina Geddy entrando em cena com esse Rickenbacker azul turquesa. Um instrumento novo que, ao mesmo tempo, parece trazer a história da Série 4000 nas costas. Não é apenas uma escolha visual. É um símbolo. Um jeito de dizer que o Rush está seguindo, mas sem se desligar da própria história.
Também chama atenção o fato de esse baixo surgir num momento em que a Rickenbacker parece estar revisitando algumas ideias clássicas. Além desse instrumento feito para o vocalista e baixista do Rush, já circulou uma prévia de uma 360F, o que aumentou a sensação de que há novidades interessantes sendo preparadas em Santa Ana, sede da marca. Se esses modelos especiais virarem pequenas séries, é fácil imaginar colecionadores e fãs correndo atrás.
No caso de Geddy, porém, o valor vai além do valor de coleção. O baixo aparece como parte da história dessa nova turnê. Ele chega como um presente de uma marca histórica para um músico histórico, mas também como um recado aos fãs. O Rush volta aos palcos cercado por memória, cuidado e expectativa. Até o instrumento escolhido para essa caminhada parece ter sido pensado para carregar um pouco dessa emoção.
Geddy sempre foi mais do que o baixista do Rush. Ele foi uma das peças centrais de um som que exigia precisão, coragem e imaginação. Ver a Rickenbacker preparar um instrumento especial para ele, inspirado nas raízes da própria marca, é como assistir a duas histórias se encontrando de novo. De um lado, a história do baixo elétrico. Do outro, a história de uma banda que nunca tratou a música como algo comum.

Em sua autobiografia, o músico lembra quando conseguiu comprar seu primeiro baixo Rickenbacker. “Eu estava de olho havia tempos num Jetglo Rickenbacker 4001, o mais próximo que eu podia chegar do meu ídolo do momento, Chris Squire, do Yes”, registrou. Era 1974 e eles haviam acabado de assinar com a gravadora Mercury. Agora, poderia comprar novos instrumentos com o primeiro adiantamento.
Numa entrevista para a revista Bass Player, em 2006, ele volta a comentar sobre seus instrumentos. “O Jazz Bass tem um braço bem doce, e sinto que fluo pra longe tocando nele, coisa que jamais fiz num Rickenbacker. O Ricky era, na verdade, um tipo de instrumento mais pesado. Por isso eu tinha que tocar de forma mais agressiva. O braço era bem grande e a ação era alta, pois aquele era o som que eu queria”, explicou, na época.
Agora, fica a expectativa pelas primeiras imagens desse baixo em ação. Porque uma coisa é ver o instrumento nas redes sociais, brilhando em azul turquesa e dourado. Outra, bem diferente, vai ser assistir a esse baixo ganhar vida nas mãos de Geddy, diante de uma plateia que espera há anos por esse reencontro com o Rush.