…E Neil Peart se tornou Rush

Em 29 de julho de 1974, há 51 anos, Neil Peart foi oficialmente convidado a entrar na banda; uma resposta que mudaria para sempre o rumo do trio e a história do rock

No verão de 1974, o Rush se encontrava numa encruzilhada. Com o disco de estreia recém-lançado, a banda canadense havia conquistado algum espaço no circuito de bares e casas de show, com um som cru e enraizado no hard rock. Mas havia uma peça faltando. Com a saúde frágil e pouco interesse em sair em turnê, o baterista original, John Rutsey, deixou o grupo. Foi então que uma série de acasos, ou destinos traçados pela música, levou Neil Peart a uma audição que mudaria não só sua vida, mas o rumo do Rush para sempre.

Neil, um jovem magro de 21 anos, trabalhava como balconista na loja de peças agrícolas Dalziel Equipment, de propriedade de seu pai, Glen Peart, em St. Catharines, Ontário, Canadá. Naquele dia de um verão forte, ele não sabia que estava prestes a iniciar o capítulo mais decisivo de sua trajetória.

“Numa manhã quente de julho, no verão de 1974, um Corvette branco parou na frente da loja Dalziel Equipment. Outro baterista da região, John Trojan, desceu do banco do carona e me apresentou ao motorista, Vic Wilson, um dos empresários de uma banda de Toronto chamada Rush”, contou o próprio Neil em seu livro Traveling Music.

Neil foi o turbo propulsor que elevou o Rush a outro patamar; bateria e poesia

A proposta era simples, mas cheia de possibilidades: a banda precisava de um novo baterista para uma turnê iminente pelos Estados Unidos. Peart, que havia passado por diversas bandas locais sem sucesso e já encarava com ceticismo as promessas do meio musical, viu ali uma fagulha. “Parecia muito promissor (embora, naquela época, eu já tivesse aprendido a ser cético quanto a promessas de empresários)…”.

A audição aconteceu em 28 de julho de 1974. Neil chegou dirigindo o carro da mãe, um Ford Pinto, com as peças da bateria transportadas em latas de lixo. O trio se encontrou numa sala abafada de ensaio, onde Geddy Lee e Alex Lifeson ficaram imediatamente impressionados.

A técnica explosiva e o estilo influenciado por Keith Moon e John Bonham fizeram com que Neil se destacasse já nas primeiras músicas. Era diferente. Era intenso. Era Rush elevado a uma nova potência.

A conexão entre os três músicos foi quase instantânea. Em suas memórias, Peart recorda que logo após tocar, sentaram-se e começaram a conversar sobre Monty Python’s Flying Circus, O Senhor dos Anéis e as bandas que admiravam. A química musical logo se mostrou também afinidade pessoal. Aquele ensaio despretensioso se transformou num pacto silencioso de futuro.

Assista aqui a uma entrevista rara de Neil Peart sobre sua obra

E eles disseram “sim”- No dia seguinte à audição, 29 de julho de 1974, data em que Geddy Lee completava 21 anos, Neil recebeu a tão esperada resposta. “A emoção e a agitação repentinas foram avassaladoras”, lembra Peart. Estava decidido: ele seria o novo baterista do Rush. E já havia uma missão clara pela frente, uma turnê pelos Estados Unidos e um salto para uma carreira profissional de verdade.

Foto oficial do Rush com Neil, em 1974

“Estávamos saindo em turnê, nos Estados Unidos, e com um adiantamento da gravadora fomos para uma loja de instrumentos musicais no centro de Toronto e compramos um equipamento novinho, incluindo uma bateria Slingerland com dois bumbos. Isso, com certeza, era começar com o pé direito.”

Mais do que o início de uma nova fase, aquele dia marcou o nascimento do Rush como o mundo o conheceria: complexo, literário, ambicioso. A entrada de Peart trouxe ao trio não só uma nova percussão, mas uma nova linguagem, uma nova filosofia. Ele não seria apenas o baterista, mas o letrista principal, o cérebro por trás das narrativas mitológicas, das críticas sociais e das metáforas existenciais que definiriam a obra da banda.

Ali, no calor de julho de 1974, quando um Corvette branco estacionou diante da loja de Glen Peart, começava discretamente uma revolução sonora. Neil Peart não apenas entrou para o Rush naquele dia. Ele redirecionou a bússola criativa da banda  e o rock progressivo nunca mais foi o mesmo.

Factuais

Respostas de 2

  1. parabens João..sou fã incondicional do rush e tenho tudo deles, assisti 2 shows aqui no Brasil e 1 show em Toronto.. pra mim o melhor Power trio que existiu ao lado do ELP

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