Alex Lifeson e o retorno da Whitey

Ela moldou o som do Rush por mais de três décadas e alcançou cifras astronômicas em um leilão. Agora, a lendária “Whitey” pode estar prestes a ganhar uma nova vida e chegar às mãos dos fãs. Alex Lifeson revelou planos animadores em entrevista recente: vem aí o retorno da semiacústica mais icônica do prog rock?



Quem nunca sonhou em tocar a guitarra que moldou o som do Rush por mais de três décadas? A lendária “Whitey” , a Gibson ES-355TD personalizada de Alex Lifeson, fabricada em 1976 ,  alcançou impressionantes US$ 384.000  em um leilão realizado em 2022, superando com folga a estimativa inicial de US$ 300.000. Mas há boas notícias para quem não conseguiu arrematar essa relíquia: uma versão mais acessível da “Whitey” pode estar a caminho.

Em entrevista recente à revista Guitar World, Lifeson revelou detalhes. “A Epiphone tem algumas coisas que quer lançar; eles gostariam de fazer uma reedição da ES-335, e a Gibson quer fazer um modelo acústico e algumas outras coisas”, explicou.

A volta de Whitey é um presente para os músicos

A expectativa ganha força com o histórico recente da Epiphone, que lançou em 2024 a aclamada Alex Lifeson Les Paul Custom Axcess. O modelo, inspirado na Les Paul clássica, incorpora captadores Epiphone Ceramic Pro e ProBucker 3 com coil splitting, além de uma ponte Floyd Rose 1000 Series, oferecendo versatilidade e estabilidade de afinação .

Ao se despedir da “Whitey” pouco antes do leilão, Alex não escondeu a emoção: “Eu estava sentado na nossa entrada de serviço, com o estojo entre as pernas, conversando com ela. Relembrei shows que fizemos juntos e até beijei o plástico bolha”, contou, em um relato que mistura humor e ternura. Para ele, o alto valor arrecadado não é apenas simbólico: “Com esses recursos, ela ganha nova vida e ajuda outras pessoas — em alguns casos, dá outra chance de vida.”

A guitarra foi construída sob medida para Alex Lifeson na fábrica da Gibson em Kalamazoo, nos Estados Unidos, e usada entre 1976 e 2015, ou seja, por quase toda a carreira do Rush. Batizada de “Whitey”, o instrumento é destaque em todos os álbuns de A Farewell to Kings (1977) a Test for Echo (1996). Mas pode ser visto sendo tocado por Lifeson, ao vivo, durante todas as turnês entre 1977 e 2015.

“Quando encomendei da Gibson, em 1976, foi como um sonho tornado realidade. Quando recebi, não podia acreditar o quão bonito era”, citou Alex. “Sou tão apaixonado por esta guitarra. Foi definitivamente uma das coisas mais difíceis que eu já tive de desistir na minha vida. Toquei (com ela) em camarins, clubes pequenos, em grandes palcos. Esteve comigo em todos os lugares”, lembrou.

Vale lembrar que também em 2022,  a Epiphone lançou o modelo Inspired by Gibson Custom, com especificações premium que podem servir de base para a aguardada reedição da ES-335. Em março passado, Alex e Geddy Lee participaram de outro leilão, quando uma guitarra foi colocada à venda com a assinatura dos dois.

Mas não é só nas guitarras que Alex tem se dedicado. Sua linha de pedais assinada pela marca Lerxst continua crescendo. Após o lançamento de dois modelos, By-Tor e Snowdog, Lifeson revelou que estão em desenvolvimento um chorus e possivelmente um delay. A Lerxst também se uniu à Morley para lançar o inovador Blah Blah Wah, descrito como “um dos pedais de wah mais únicos já projetados”, combinando timbres clássicos e contemporâneos.

Alex em ação com sua Whitey

A expansão não para por aí. A Lerxst já inclui amplificadores como as séries Omega e Chi, além das guitarras Grace e Limelight, criadas em parceria com a Godin Guitars. E, mostrando sua abertura para novas tecnologias, Lifeson tem experimentado com modelagem digital, recurso que já utiliza em seu trabalho com a banda Envy of None.

Resta agora a pergunta que não quer calar: será que em breve teremos uma “Whitey” acessível nas prateleiras? Enquanto isso, seguimos atentos a cada passo de Alex Lifeson. Porque, como ele prova a cada novo lançamento, paixão por equipamento nunca sai de moda.

Solos– Em entrevista ao The Prog Report (via Ultimate Guitar), Alex abriu o jogo sobre sua abordagem atual em relação aos solos de guitarra. Conhecido por seu estilo expressivo e técnico, o guitarrista revelou que, mesmo nos últimos anos com a banda, passou a reduzir os momentos de virtuosismo em favor da musicalidade.

Ouça aqui apenas a guitarra de Lifeson durante um show do Rush

“Mesmo no final do Rush, eu já fazia bem menos solos. Adoro fazer, mas se não sinto que eles têm um propósito real dentro da música, a não ser que estejam ali a serviço da canção, acabam sendo só uma firula”, disse.  “É apenas uma forma de exibir técnica”, explicou. “E tudo bem, mas basta abrir o Instagram para ver milhares de guitarristas incríveis tocando feito loucos. Mas há alma nisso? Existe algum propósito além de apenas impressionar?”

Lifeson defende que, para além da habilidade, o solo precisa servir à narrativa da canção. Ele cita como exemplo a faixa “The Story”, do Envy of None, seu novo projeto ao lado da cantora Maiah Wynne.

“Esse solo se tornou a parte mais importante da música para mim.Ele cumpre esse pequeno papel de preparar a Maiah para entregar aquele último verso e o riffzinho marcante que entra nesse trecho. Esse é o ponto alto da música para mim”, contou. “Então, o foco é chegar lá e saber como fazer isso acontecer.”

Para o “filho da vida”, cada solo no disco foi tratado com esse mesmo cuidado — sempre pensando na canção como um todo. “Tratei todos os solos do disco dessa forma. Na verdade, há até mais deles”, revelou.

A declaração mostra um Alex mais maduro, econômico e intencional, preocupado menos em mostrar velocidade e mais em emocionar. Para os fãs de longa data, é mais um indício de que o guitarrista continua evoluindo e desafiando o mundo da música, mesmo após décadas de carreira.

No fim das contas, o que importa para Lifeson não é a quantidade de notas, mas o que elas contam. E ele segue escrevendo histórias, com ou sem solos.

Factuais

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