Alex Lifeson abre o coração

Aos 71 anos, Alex Lifeson renasce como guitarrista; em entrevista sincera à Guitar World, o ex-Rush fala sobre luto, inseguranças, novas sonoridades e sua redescoberta da música

Personagem de destaque na mais recente edição da revista americana Guitar World, Alex Lifeson compartilha revelações sinceras sobre sua trajetória musical. Aos 71 anos, o lendário guitarrista relembra momentos marcantes do passado, fala sobre seu novo trabalho com a banda Envy of None.Depois do fim do Rush e da morte de Neil Peart em 2020, Lifeson passou por um período de afastamento da música. A dor da perda e o encerramento de um ciclo o levaram a se desconectar da guitarra — um instrumento que, até então, era extensão de sua identidade. Mas, como ele mesmo diz, esse tempo de silêncio terminou. Hoje, ele se sente “renascido” como músico.

Capa da mais recente edição da Guitar World

Para a revista, ele confessou que, apesar da fama e do talento reconhecido, nunca foi plenamente confiante com o próprio desempenho. “Nunca fui muito confiante, para ser sincero, como guitarrista. Sempre senti que precisava trabalhar duro, e talvez eu não tenha valorizado o fato de ter um talento natural para tocar guitarra”, declarou Lifeson à revista. A fala surpreende, principalmente por vir de um músico consagrado, que ocupa o oitavo lugar na lista dos “100 Maiores Guitarristas de Todos os Tempos” da própria Guitar World.

Alex lembrou o momento difícil que foi a partida do amigo Neil. “Quando ele faleceu, foi como: ‘Eu preciso seguir em frente.’ Isso fez parte de todo o meu processo de luto. Normalmente, o luto dura um ano inteiro, e então eu digo a mim mesmo: ‘Ok, você precisa seguir em frente. Não pode mudar o passado’”, desabafou.

“Foi mais ou menos nessa época que voltei a tocar com muito mais frequência. No último ano, adotei um estilo de tocar mais intenso, quase obsessivo, passando horas por dia com o instrumento e estou adorando”, relatou.

Esse renascimento passa por novas experimentações. Em seu atual projeto com a Envy of None, Lifeson explora timbres digitais e colaborações criativas que renovam sua forma de compor e tocar. Ao ser questionado sobre quem é Alex Lifeson, o guitarrista em 2025, ele responde sem rodeios.
“Eu sei de onde vim e sei como era como guitarrista durante a maior parte da minha carreira. Hoje, sou um músico mais sensível. Não tenho mais o mesmo tipo de expectativa. Para ser honesto, nunca fui muito confiante como guitarrista. Sempre senti que precisava me esforçar muito e talvez não tenha valorizado o fato de ter um talento natural para tocar guitarra.”

Apesar da disposição renovada, ele não esconde os desafios da idade. “Bem, meus dedos estão melhores. Tenho 71 anos; não vou tocar como fazia aos 21, ou mesmo aos 51. Mas percebo que meus dedos estão voltando, estão gratos por eu estar fazendo isso, por colocá-los novamente em forma. É um caminho longo quando se chega a essa idade e se enfrenta as coisas que vêm com o envelhecimento, mas meus dedos estão muito melhores do que há seis meses. Me sinto muito mais confiante tocando. Me sinto confiante. Me sinto feliz. Me sinto renascido, em termos de tocar. É um momento muito bom para mim agora.”

A matéria, assinada por Andrew Daly, destaca também o envolvimento único do Rush com o público. “O Rush teve muitas conquistas artísticas, mas, se olharmos de forma ampla para a carreira da banda, o mais impressionante foi a capacidade do trio canadense de fazer o rock progressivo dialogar com todos os públicos”, escreve Daly.

“Como exatamente eles conseguiram isso é um segredo aberto. Suas músicas podiam ser complexas, inteligentes, mas sempre irradiavam humanidade. E as escolhas de notas de Alex Lifeson, seu ouvido apurado para a melodia, enriqueciam as ideias mais ambiciosas com ganchos que nos levavam juntos na viagem”, define o jornalista.

Alex Lifeson se junta a nomes como Brian May e James Hetfield, que também já falaram abertamente sobre suas inseguranças com o instrumento. Mas sua franqueza só fortalece ainda mais a imagem de um artista que, mesmo com décadas de estrada e reconhecimento mundial, continua aprendendo, se reinventando. E tocando. Os fãs e o mundo da música agradecem.

Factuais

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