Um adeus aos reis? Talvez não. O RushBrasil.com teve acesso ao material que vai ser lançado na revista Classic Rock no próximo mês de fevereiro.
O futuro do Rush permanece um mistério, mas o passado da banda é uma estrada rica em histórias e marcos. Com essa temática em mente e com a missão de anunciar o lançamento do R50, um box de luxo especial que comemora os 50 anos da banda, o jornalista inglês Philip Wilding caiu em campo. Ele conversou com Alex Lifeson e Geddy Lee para a revista britânica Classic Rock. Por meio de um fã e conhecedor dos bastidores da imprensa inglesa, o RushBrasil.com teve acesso ao material que vai ser lançado no próximo mês de fevereiro.
A matéria começa contextualizando o cenário em que os ídolos se encontram. “Mesmo separados por milhares de quilômetros – Alex Lifeson em Toronto e Geddy Lee em Londres – a conexão entre eles continua forte, como nos tempos de jovens músicos viajando em uma van pelos rincões do Canadá. É impressionante como ambos, aos 71 anos, esbanjam vitalidade e bom humor,”cita a abertura da matéria.
Logo depois, a reportagem conta o porquê desse momento. “O motivo do nosso encontro? O lançamento do R50, um box especial que celebra a trajetória ao vivo do Rush, repleto de gravações inéditas, raridades dos tempos de colégio e dos primeiros shows em clubes, além da última música que tocaram juntos no LA Forum durante a turnê R40. Uma verdadeira joia para os fã”, explica.
Durante o relato, Philip dá mais detalhes. “O R50 é uma cápsula do tempo que nos transporta para diferentes épocas do Rush, mostrando a força da banda ao vivo em cada década. Essa energia explosiva nos palcos foi resultado de anos de estrada, tocando em cada canto do Canadá até conquistar o mundo”, diz o texto.
“Tivemos problemas para sair de Ontário”, relembra Geddy Lee, durante a entrevista. “Mas tocamos em todos os bares de Toronto: Gasworks, Abbey Road Club, Piccadilly Tube… Sacou o tema? E aí o Ray (Danniels), nosso empresário na época, nos mandava para tocar em bares no fim do mundo, tipo Smith Falls ou Thunder Bay. Tenho memórias bem vívidas daqueles tempos. Repare que eu não usei a palavra ‘boas’”, desabafa Geddy.
Veja abaixo trechos das declarações concedidas para a Classic Rock. Por respeito ao trabalho da revista, não vamos publicar a entrevista na íntegra.

Sobre os primeiros shows.
Alex Lifeson: “Meu Deus, o dono daquele Motor Inn exótico em Thunder Bay nos colocou num canto do motel, o mais longe possível dos outros cinco hóspedes daquela espelunca.”
Geddy Lee: “Cara, aquele show não foi nada agradável. E você fica lá tipo, acho que ficamos lá pelo menos uma semana, talvez mais.”
Lifeson: “Duas semanas, praticamente sem aquecimento nos dois quartos que nós três dividíamos.”
Lee: “E a banda não ficou na suíte. Tínhamos um quarto grande e vazio, cheio de camas de armar. Então você pegava a sua cama, se enrolava todo, e às vezes fazia tanto frio à noite que você dormia com o secador de cabelo ligado. No meio da noite você acordava e ligava o secador debaixo das cobertas para se aquecer. De manhã, a primeira coisa que você fazia era tomar um shot de uísque para o sangue voltar a circular.”
Lifeson: “Eu sempre vou me lembrar do som daqueles secadores de cabelo debaixo dos lençóis no meio da noite. O público era deprimente e desinteressado. O cara no comando nos deu tequila antes de um show e então Ged e eu trocamos de instrumentos e tocamos o set deitados de costas no palco. Acho que ninguém nem piscou.”
Lee: “E o tempo todo que estivemos lá, eles não mudaram a placa. Nunca anunciaram que era o Rush que estava tocando. Eles ainda tinham a placa de três semanas atrás, quando uma banda chamada Amazing Kabuki estava tocando. Então, nós subíamos no palco nesse show em particular, senhoras e senhores, o Amazing Kabuki! E então, tinha o palco e tinha uma pista de dança na frente. Claro, não usada para músicas do Rush, e aí tinha um espelho do lado oposto da pista de dança. Então você estava tocando e meio que se olhando. Você via caras que já estavam bêbados gritando coisas. ‘Ei, toquem alguma coisa do Neil Young!’ A gente também tinha que fazer uma matinê no sábado. Você chegava lá às. 13h e tinham três pessoas na plateia. E quase não importava o que você tocasse, porque as três pessoas que estavam lá, estavam lá para beber.”
Falando em pagar o preço, um verdadeiro destaque do box são as faixas do Agora Ballroom em Cleveland e da Laura Secord Secondary School, ambas de 1974.
Lee: “Verdadeiros retratos do tempo. O Agora Ballroom em Cleveland… aquele foi um show principal muito importante para nós, acho que foi nossa primeira turnê e, nessa turnê, éramos a banda de abertura, então você se coloca de volta naquela mentalidade em que estamos tocando geralmente entre 26 e 40 minutos no máximo, geralmente mais perto de 30 minutos do que 40. Então, quando chegamos no clube, era nosso show principal e podíamos tocar todas as músicas que conhecíamos, basicamente. Tinha uma multidão feroz, era um show quente e suado. Eu me lembro muito, muito bem. Um dos primeiros shows principais com Neil, no geral. Fico feliz que eles tenham encontrado algumas músicas daquela noite.”
Lifeson: “Cleveland foi um mercado forte para nós desde o início e tocar neste clube venerado apresentou o Rush a um público mais amplo. Com isso, quero dizer que parecia que era realmente nosso público pela primeira vez. Eu me lembro que o palco era pequeno e estávamos muito apertados lá, e no final do show, a sala estava quente e suada, e o público estava barulhento e muito animado. Tenho certeza de que não usei camisa no bis, algo que eu poderia fazer cinquenta anos atrás, mas não ousaria fazer agora. Pensando bem, fiquei bravo comigo mesmo por deixar minha alça de guitarra toda suada!”
Bad Boy é uma das músicas do box daquela noite (a canção de Larry Williams que os Beatles fizeram cover). Como é que isso foi parar no repertório de vocês?
Lee: “Eu me lembro de ouvir a versão dos Beatles quando era criança e amar. E quando a gente tocava nos bares, precisávamos de alguns covers, senão não éramos contratados. Então, sempre escolhíamos músicas de bandas que tinham um grande nome, mas escolhíamos músicas que eram obscuras. Mas ainda podíamos dizer no nosso currículo que tocávamos uma música dos Beatles. A gente também tocava Shotgun do Jr. Walker & The All Stars, mas fazíamos uma versão de quinze minutos, com o Alex Lifeson mandando um solo de Echoplex e wah-wah. Basicamente, era Working Man. O show na Laura Secord Secondary School foi algo que nós realmente filmamos para a televisão local em Toronto. Era primavera de 74, o John Rutsey estava na bateria e já estávamos começando a ser um nome no circuito de Ontário. O primeiro álbum tinha acabado de sair, mas só no Canadá naquele momento, pela Moon Records. Então, aqueles jovens deviam ter nos ouvido no rádio. Uma das quatro vezes por semana que a gente conseguia tocar no rádio. Então, já estávamos construindo uma base de fãs naquela época. Aquela foi uma ótima plateia. Eles estavam realmente animados.”
Lifeson: “Eu tinha vinte anos na época. Eu me lembro muito pouco da performance, me lembro que estava um pouco nervoso antes e como era incomum ter um show no colégio gravado em vídeo naquela época. Eu assisti ao clipe novamente anos atrás e sorri com a imagem desses três jovens músicos que eu mal reconheci tocando para um bando de alunos sentados e constrangidos. Felizmente, ele forneceu a única performance em vídeo gravada nossa com John Rutsey.”
Vocês ainda são melhores amigos, vocês dois ainda se encontram e saem para tocar juntos uma vez por semana.
Lifeson: “É bom tocar com os amigos conforme você fica mais velho. Eu preciso tocar. Uma vez por semana eu vou na casa do Ged – está no calendário – manter meus dedos em movimento, tocar coisas do Rush, novas jams. Nós gravamos, mas eu não saberia nem dizer onde isso vai parar.”
Lee: “Al e eu somos amigos para a vida toda. Nós tocamos juntos de vez em quando, é verdade. Isso é tudo que eu quero dizer sobre isso, neste momento.”
Respostas de 2
Que achado!!!!
Na torcida pra vir outras coisinhas, além do box com quatro discos.