Gump se dedicou a Neil e ao Rush por 20 anos, e agora é destaque numa matéria do New York Times. “Fuçamos” e trouxemos mais sobre ele
Imagine ter a oportunidade de trabalhar lado a lado com um dos maiores bateristas de todos os tempos, acompanhando de perto sua genialidade e dedicação à música. Na última semana, o jornal New York Times publicou uma matéria sobre técnicos de rock, essas verdadeiros anjos da guarda conhecidos como roadies, que dedicam muitos anos de sua vida a essa loucura que é cuidar de bandas e artistas conhecidos mundialmente. Um dos destaques dessa matéria foi Lorne Wheaton, conhecido como “Gump”, o lendário técnico de bateria que acompanhou Neil Peart por quase duas décadas.
Esse cara, com um currículo que inclui Alex Van Halen e Eric Singer do KISS, dedicou 50 anos de sua vida à música, trabalhando nos bastidores de grandes turnês. A matéria conta que recentemente, aos 69 anos, Gump decidiu se aposentar, após um último trabalho na longa turnê de despedida do Kiss. Mas não pense que ele pendurou as baquetas de vez. Ainda ativo no IATSE (Aliança Internacional de Empregados de Palco Teatral), Gump continua fazendo trabalhos em teatros locais e eventos corporativos em Toronto, sua cidade natal.
“Nunca imaginei que trabalharia como técnico por meio século”, confessou Gump ao jornal. “Eu nem achava que ia chegar aos 69! Sejamos sinceros, né? Ninguém pensa que vai chegar aos 70 e realmente se aposentar desse ramo, porque exige uma boa grana guardada para fazer isso.” Ele descreve o trabalho como freelancer como uma “correria constante”, com o desgaste da idade trazendo consequências inesperadas: “Ninguém quer bater as botas no beliche do ônibus da turnê ou num quarto de hotel.”

Mas não ficamos satisfeitos apenas com essas declarações para um dos veículos de imprensa mais influentes do mundo, que é o NYT. Inspirados por sua trajetória, e como fuçadores inquietos que somos, o RushBrasil.com resolveu resgatar uma entrevista exclusiva que Gump concedeu a Darren Schoepp, gerente de produtos de percussão da Roland Canada, conteúdo publicado em 2021 no site da marca, uma das líderes de mercado de instrumentos musicais eletrônicos. Nesse bate-pao ele conta histórias e sobre bastidores da banda, afinal, é sua longa permanência com Neil Peart que o tornou um favorito dos fãs no universo do Rush.
Na conversa, Lorne Wheaton abriu o coração sobre sua experiência com o Rush, relembrando momentos marcantes, desafios e curiosidades da convivência com o trio canadense. A parceria com a banda começou em 2001, quando recebeu um convite para trabalhar na gravação de um novo álbum, marcando o retorno de Neil Peart à bateria após um período de reclusão. “Já os conhecia há muitos anos, então foi como reencontrar a família”, conta Gump, relembrando a atmosfera de amizade e respeito mútuo que permeou a relação.
Ao longo dos anos, Gump testemunhou diferentes fases e encarnações do Rush. Entre as turnês mais memoráveis, ele destaca a “R40”, última da banda, em 2015: “Foi épica do começo ao fim! É só perguntar para qualquer fã que viu!”. A turnê “Clockwork Angels”, que contou com a participação de uma orquestra de cordas, também ocupa um lugar especial em suas lembranças.

E quando o assunto é a genialidade de Neil Peart, Gump não economiza elogios. “Há alguma performance específica de bateria de Neil Peart que você considere definitiva?”, questionaram na entrevista. “Todos eles!”, respondeu prontamente. “O cérebro dele funcionava como nenhum outro baterista com quem já trabalhei. Muitos bateristas podem pensar que podem cobrir suas partes, mas você deve inventar essas partes primeiro. E ele fez isso. O processo dele ensaiando seus solos de bateria sempre foi divertido de assistir — da minha perspectiva. Não tanto da dele. Foi difícil para ele fisicamente, especialmente nos últimos anos”, disse para a publicação.
Lorne também relembrou os desafios de acompanhar o ritmo frenético do Rush: “Normalmente, o desafio era não ter tempo suficiente para fazer o meu trabalho direito, por causa dos prazos apertados”. Ele enfatiza a importância da jornada em equipe e da capacidade de adaptação para lidar com os imprevistos.
E de onde veio o apelido “Gump”? O técnico revela que foi Geddy Lee quem o apelidou nos anos 70, em referência a Lorne “Gump” Worsley, um goleiro de hóquei no gelo. “O apelido pegou até hoje!”, diverte-se.
Com uma carreira de cinco décadas dedicadas à música, Lorne “Gump” Wheaton deixa um legado de profissionalismo e paixão pelo que faz. Sua história, entrelaçada com a trajetória do Rush, serve de inspiração para todos que sonham em trabalhar nos bastidores (difíceis, mas prazerosos) do mundo da música.
*A foto que abre essa matéria é de um dos maiores projetistas de baterias do mundo, Ronn Dunnett. Pesquise mais sobre ele, vale a pena.
Respostas de 5
Muito interessante, eu quase leigo. 👏👏👏👏
Legal saber sobre essas pessoas. Eu curto muito.
Excelente matéria João, parabéns! Eu trabalharia de Roadie para o Rush de graça!
Ahahah. Nem me fale! Eu trabalharia de carregador numa turnê. Qualquer coisa.
Valeu João, mais informações sobre umas das maiores bandas do mundo.