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Roll the Bones

Lançado em 1991, Roll the Bones marca uma transição no som e na atitude do Rush, trazendo novas influências e um espírito renovado que deixou os fãs tanto surpresos quanto encantados. Se Presto (1989) foi um suspiro de frescor, Roll the Bones é um ousado passo à frente, refletindo as mudanças da época e, ao mesmo tempo, mantendo a assinatura inconfundível da banda.

A produção do álbum voltou a ser assinada por Rupert Hine, que já havia trabalhado com o Rush em Presto, e sua presença na produção é sentida na maneira como o álbum soa – mais orgânico, mas também com uma textura mais polida. Embora a natureza experimental do disco seja evidente, Hine conseguiu manter a essência da banda enquanto os guiava por novos territórios sonoros.

Uma das maiores surpresas de Roll the Bones é o uso de elementos de rap e funk. O Rush sempre foi uma banda de progressivo, mas aqui há algo mais, uma sonoridade mais aberta, mais groove. O funk, com suas linhas de baixo pulsantes e batidas mais marcadas, se entrelaça com um pouco de rap – e quem diria que o Rush, uma banda conhecida pela complexidade de seus arranjos, se arriscaria nesse território? Em faixas como “Roll the Bones”, a experimentação é palpável, mas nunca soa forçada. Pelo contrário, a banda parece confortável nesse novo estilo. A introdução com um toque de rap de Geddy Lee, que de maneira descontraída solta o verso “I don’t believe in rock’n’roll”, é emblemática da renovação que o álbum propõe.

Outro aspecto interessante desse álbum é a mudança na abordagem de Neil Peart. Com um estilo mais direto e conciso, ele opta por se afastar de letras mais abstratas e complexas e abraçar uma comunicação mais simples e direta. Isso não significa que ele tenha perdido sua profundidade lírica, mas sim que soube ser mais acessível, deixando as letras respirar de maneira diferente, mais cruas e imediatas. E ao fazer isso, deu a Geddy Lee mais espaço para se destacar com seu baixo agressivo, que se torna ainda mais marcante do que nos discos anteriores. A presença de Geddy é visível e essencial para o “groove” do álbum, que se destaca principalmente em músicas como “Dreamline” e “Roll the Bones”. O baixo de Geddy está afiado e audacioso, guiando a canção com uma energia que revela uma faceta mais enérgica e menos cerebral da banda.

2000s

Após um hiato de seis anos, Vapor Trails marca o retorno da banda com um som mais cru e emocional, refletindo as dificuldades pessoais dos membros, especialmente após a perda
Gravado durante o show em Rio de Janeiro, Rush in Rio captura a energia elétrica da banda em uma apresentação épica para milhares de fãs.
Apresenta covers de músicas do The Who, The Yardbirds, Love, Cream, Buffalo Springfield e mais. O álbum marcou o 30º aniversário do lançamento do álbum de estreia do Rush .
Com uma mistura de rock clássico e influências modernas, Snakes & Arrows traz uma sonoridade mais experimental, mantendo a complexidade musical e as letras profundas.
Clockwork Angels é uma ópera rock que mistura o som progressivo clássico do Rush com elementos de steampunk, apresentando uma jornada épica com temas de liberdade e destino.

Em termos de temas, o Rush não abandonou suas raízes de introspecção e reflexão. Roll the Bones continua a explorar questões existenciais e filosóficas, mas com uma abordagem mais direta, que reflete a mudança no estilo lírico de Peart. A faixa-título, “Roll the Bones”, pode ser vista como uma metáfora para a vida e seus riscos, enquanto “The Big Wheel” é uma reflexão sobre o destino e as escolhas. A banda, de certa forma, traz o conceito de azar e sorte – uma espécie de jogo – como uma ideia central, com um toque de humor ácido que marca a evolução do Rush na década de 1990.

Ao mesmo tempo em que Roll the Bones não abandona o virtuosismo técnico pelo qual o Rush é famoso, o disco mostra uma banda disposta a experimentar, se reinventar e até se divertir com a música. Em certo sentido, é um reflexo de uma época que se distanciava do rock progressivo tradicional para se aproximar de um som mais contemporâneo, mais acessível, e ao mesmo tempo com uma atitude desafiadora que só o Rush poderia sustentar.

Este álbum representa um dos momentos mais interessantes da carreira da banda. Roll the Bones não é apenas um disco de transição, mas um dos exemplos mais claros de como o Rush, sempre inquieto e em busca de novos horizontes, soube se reinventar ao longo das décadas. A fusão de elementos de rap, funk e um groove mais acentuado, junto com as letras mais acessíveis e diretas, fazem deste disco uma escuta obrigatória tanto para os fãs antigos quanto para aqueles que chegaram ao Rush a partir da década de 1990.

Se o Roll the Bones fosse uma aposta, diríamos que o Rush sabia muito bem em que estava apostando: a reinvenção de sua própria sonoridade. E como sempre, a jogada deu certo.

Músicas do Album

  1. Dreamline
  2. Bravado
  3. Roll The Bones
  4. Face Up
  5. Where’s My Thing? (Part IV, “Gangster Of Boats” Trilogy)
  6. The Big Wheel
  7. Heresy
  8. Ghost of a Chance
  9. Neurotica
  10. You Bet Your Life